quarta-feira, 5 de julho de 2017

Parce que c'était lui, parce que c'était moi


"And then one day you find ten years have got behind you"


Se não fosse pelo que ocorreu nesta data há exatos 10 anos eu não sei o que seria de mim hoje. Só tenho a agradecer a meu saudoso Mestre por toda paciência que teve ao auxiliar meu desenvolvimento. Melek Rik, lhe devo minha vida!
Gostaria muito de estar contigo e toda a Brigada reunidos em algum bar celebrando este marco importantíssimo em nossas vidas. Gostaria que estivesse aqui para animar nossas vidas e, quem sabe, nos guiar pela escuridão até o inferno uma vez mais.
Meus sentimentos para contigo mestre são imensuráveis e creio que não possa expressar o que sinto através de minhas próprias palavras. Não me esquecerei de nenhum momento que passamos juntos e não deixarei a chama de sua memória se extinguir. Obrigado por todo o ensinamento e, principalmente, obrigado por me acolher como amigo.



O que habitualmente chamamos amigos e amizades não são senão conhecimentos e familiaridades contraídos quer por alguma circunstância fortuita quer por um qualquer interesse, por meio dos quais as nossas almas se mantêm em contato. Na amizade de que falo, as almas mesclam-se e fundem-se uma na outra em união tão absoluta que elas apagam a sutura que as juntou, de sorte a não mais a encontrarem. Se me intimam a dizer porque o amava, sinto que só o posso exprimir respondendo: “Porque era ele; porque era eu”. - Michel de Montaigne


sábado, 8 de abril de 2017

Uma reflexão sobre a vida, o tempo, a felicidade e os momentos que se foram

Recentemente os assuntos "amadurecimento" e "envelhecimento" povoaram não só meus pensamentos, mas também minha vida pessoal e profissional. Não me lembro de parar para analisar determinadas coisas, então;

1 - Quando tudo começou a mudar. 
Era inverno de 2007. Ainda possuía sonhos a serem realizados profissionalmente, não sabia nada sobre a vida como ela é e odiava ler. Então conheci o Mestre dos Magos desta minha aventura. Uma pessoa tão culta que me sentia pequeno quando com ele. Primeiro ele me ensinou a observar as coisas como elas são e não como aparentam ser - e devo perdão ao meu Mestre por não seguir muito bem este ensinamento. Depois passou para algumas artes antigas, como música, pintura, literatura com filosofia e psicologia, até chegar na fotografia e cinema que foram as que mais me chamaram a atenção por lidar de uma forma diferente com o tempo. E para os poucos que ainda estão ao meu lado e aos extintos seres uivantes que outrora acompanhavam estes humildes e sombrios textos, hão de lembrar que "Tempo" é um assunto recorrente em vários aspectos de minha vida. Foi naquela mesma semana, num inverno rigoroso que conheci sua irmã, a qual por muitas vezes me referi como a bela Tinúviel. Ah, como eram belos aqueles tempos. Dias curtos e noites longas e frias como aquelas não existirão mais nesta minha breve vida. O fruto do nosso amor nascera no final do inverno 2011, o que me fez amar ainda mais esta mal interpretada estação do ano. Infelizmente, pouco tempo depois do momento mais feliz de minha vida, o Muro começou a ruir. Era o fim da L'Âge D'Or.

2 - A Queda
Era verão de 2011. Uma tarde estranha que nunca me esquecerei, quando recebi a mensagem de que meu Mestre havia falecido naquela tarde. Não era possível! Um homem tão sábio, dominante de tantas artes e técnicas ocultas saberia enganar a Morte. Ele tinha 27 anos.
Mas algum tempo depois pude descobrir o que houve e não o descobri de uma maneira que amenizasse minha dor, mas de uma que piorou. Tinúviel, a bela que me inspirou e me motivou a viver e a criar tantas coisas novas e ousadas também fora levada pela morte. Ela tinha 21 anos.

3 - A Retomada
No verão de 2015 completei 21 anos, alcançando a idade de minha Amada Imortal. No verão de 2017 completei 23 anos e alcancei a idade de meu Mestre quando o conheci em 2007. 
Vivo desde 2011 com uma culpa em minhas costas por conta da morte das melhores pessoas que conheci na minha vida. Sinto que poderia ter evitado se notasse mais os detalhes, se observa-se melhor as coisas, assim como meu Mestre me ensinou nos primeiros meses de nossa amizade. Isso também não teria acontecido se eu não fosse tão jovem, com um espirito "imbatível e imortal" como todo jovem crê. 
Hoje não sei mais como demonstrar meus sentimentos, não consigo me aproximar ou confiar em pessoas que conheci depois de tudo isso. Tenho um bom emprego, uma boa vida segundo o julgamento de muitos e sinto que deveria passar o que aprendi para frente assim como meu Mestre o fez, mas não tenho um terço de seus conhecimentos e tão pouco o animo para tal. Fugir desta vida pareceu, em diversas ocasiões, a melhor opção a ser seguida. Não nego que ainda cogito seguir por este caminho, mas ainda há uma menininha vivendo na antiga Aorbis, na Árvore Vermelha, que ainda precisa de mim. Até lá vamos vivendo com culpa e com sede de conhecimento e vingança. Para encerrar esta pobre analise adapto uma frase de Montaigne que recordei esta tarde; Se me forçarem a dizer porque os amava, sinto que a minha única resposta seria;"Porque eram eles, porque era eu".

PS
Este é primeiro texto sem codificação alguma, apenas um pensamento escrito enquanto me indago sobre os rumos de minha vida. 
Nolite ergo solliciti esse Laidis et Lvulpis.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Laidis


Decidi ajudar. Decidi me entregar uma vez mais. Oh, o que eu não faria por você? O que eu não fiz ou faço por você todos esses anos? Mesmo estando longe ainda posso senti-la do meu lado, me apoiando e me fortalecendo com seu sangue. Mas estou velho, não sei se conseguirei desta vez. Perdoe-me se falhar, não será minha intenção.
Minha alma está dividida em duas partes, mas para fazer o que me pediu, precisarei dividi-la mais uma vez. Que minhas forças sejam suficientes e que você fique orgulhosa de mim.
Será uma longa noite! Uma noite maldita! Uma noite de caçada! 

Perdoa-me pai se pequei.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Dias difíceis


Se você soubesse como é difícil. Como é estranho tudo o que acontece comigo sem você. Faço coisas que não imaginaria serem possíveis. Tenho pensamentos que deveriam estar comigo daqui muitos anos. Não sei o que fazer. Tudo acabou, mas ainda sou perseguido. Me livrei de tudo e de todos - infelizmente todos - e mesmo estando sozinho não me deixam em paz. As pessoas ao meu redor não são como antes. Minha vitalidade está sendo sugada desde aquele dia e não tenho ninguém para me ajudar. Como queria um de vocês aqui. Como queria estar aí com vocês. Não sei por quanto tempo posso aguentar isso. Cada dia que se passa é uma batalha gigantesca para permanecer vivo. A cada ano que se passa perco mais a vontade de viver e a paciência para com as pessoas em geral. Quero me jogar no mar e nunca mais sair de lá. Me entregar ao meu maior medo e me despedir de todos. Não fiz isto por ainda ter alguma esperança, mas ela está sendo tomada de mim a cada dia que se passa. Ajuda? Já pedi diversas vezes, mas ninguém consegue entender o que falo. Me sinto tão só quanto na minha infância. Dizem que o nervo é longo. Creio que o inverno nunca acabou.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

23, o dia seguinte

Quatro anos e um dia...

Hoje é o dia que não imaginei viver. Se passou mais tempo desde que vocês partiram do que permanecemos juntos.

Nada mais a dizer.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Ao Alquimista, de Netuno

Eu te conjuro pelo Deus Morto!
Por que ainda fazes isso comigo, ó altíssimo e poderoso Mestre? Não mostrei ser um bom servo e aprendiz nos dias de outrora? Você bem sabe que tudo o que sei devo a ti, Grande Alquimista. Mas você ainda quer me fixar, mesmo após tua queda e o regresso de Mercúrio, Júpiter e Io, ainda queres me fixar? Sabes bem que não pode fazer tal coisa Mestre. Não é possível fixar algo mutável. Você não pode ter a Pedra ó Mestre, mas mesmo assim continua a me humilhar como se fosse um mero servo. Você tirou tudo que eu tinha, toda minha força e ainda assim pude encarar teu poder sem muita dificuldade, mas não era o suficiente e você precisava me humilhar ainda mais. 
Durante sua longuíssima vida, você cometeu apenas um erro Mestre, que foi me abandonar na Escuridão. Deveria ter me aniquilado enquanto podia. Você alimentou o lobo e o deixou crescer. Repetes o mesmo erro de Odin.

Assim, ó Grande Mestre Filósofo e Alquimista, peço humildemente que, pela última vez, me encontre na curva do Rio.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A Queda

Perdoa-me Padre, pois eu pequei.

Já se passou quase um ano desde a última vez em que falei contigo. Muitas coisas ruins aconteceram, como já era esperado e uma coisa boa; surpreendentemente. Não posso dizer que não sinto sua falta, foram anos e anos convivendo com todos vocês, mas como digo todos os anos; estou me adaptando.

Neste último ano refleti muito sobre tudo o que aconteceu e hoje ouvi algo que me fez querer falar contigo. Uma troca justa me foi oferecida e eu aceitei. Mas foi realmente algo justo? Afinal, vocês estão mortos e eu ainda estou aqui, afastado dos que estão na mesma condição. Me vejo vivendo uma vida que não é minha, fazendo planos que jamais sairiam de minha cabeça. Não consigo sair de casa, escrever, criar ou se quer manter uma vida normal. Valho-me da antiga Máscara que, desde muito tempo atrás me é útil para tais coisas. Sei que tudo faz parte do plano e que em algum momento todo este pesadelo acabará e poderei seguir minha vida. Mas , enquanto ainda estou deitado em minha velha cama com vista para o cemitério e sonhando com tais coisas, devo sofrer. Devo ir para o abismo e enfrentar a queda. Mas e quando acordar, o que eu verei? Vocês estarão ao meu lado e seguiremos uma vida comum? Será que ainda quero isto?

Este é um ano de mudanças. O Diabo. A Morte. Espero que sejam mudanças em minha vida, já não aguento mais. O peso está insuportável.